segunda-feira, 6 de junho de 2016

A Copa do Mundo Já Foi Mais Interessante

Não sei se perceberam, mas não só a copa do mundo, mas também eventos esportivos em geral, perderam um pouco do interesse do público. Acredito que não tenha a ver com todos escândalos de corrupção e denúncias de roubo que presenciamos quase diariamente. Mas sim com a mudança profunda cultural que estamos passando, sem muitos perceberem.

Nos dias de hoje, informação de boa qualidade é praticamente de graça. Digo praticamente porque ainda temos que pagar por energia e acesso a internet, além de nosso tempo que temos que dedicar a anúncios para "patrocinar" a produção de conteúdo.

Tenho reparado que nos últimos tempos, mal ou bem, a sociedade está mais informada. Você pode questionar se está bem ou mal informada, mas fato é que tem mais informação consumida.

Temos limitação de tempo que podemos dedicar aos assuntos que nos interessa. Dessa forma, quanto mais informação absorvemos, mais interesses desenvolvemos, de forma a pulverizar os assuntos e conseqüentemente ter menos tempo para nos dedicar a cada um deles.

De uma forma geral, acho saudável essa mudança cultural, pois diferentemente de alguns, sou daqueles que acho mais interessante saber um pouco de muitos assuntos do que saber tudo de poucos assuntos. Ou, como alguns preferem - especialistas naquele tema. Os chamados “monotemáticos”.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Cientocracia


Dizem que a democracia capitalista é o sistema de governo que mais deu certo até o momento, apesar de suas inúmeras falhas. Eu tendo a concordar.

Porém, me ocorreu um outro método mais racional de tomada de decisão. Estou chamando de cientocracia. Este termo já deve ter sido cunhado por algum estudo sobre o assunto. Mas não tenho muitas horas de estudo e de leitura para conseguir afirmar se já ocorreu ou não.

Este conceito começou a se formar nas minhas idéias com algumas entrevistas do Peter Joseph, que foi o criador de um dos melhores documentários modernos e independentes que vi nos últimos tempos - Zeitgueist. Acredito que todo ateu venera este documentário. Não só por seu conteúdo bem construído, desmistificando a crença, mas também por sua organização de idéias, edição e até humor, em alguns momentos.

Através do sucesso do documentário, Peter Joseph acabou criando um movimento secular, chamado zeitgeist movement. Existem vários pilares de sustentação para o movimento, com a idéia central de promover uma nova organização social que resultaria em melhor qualidade de vida, menos horas necessárias para trabalhar, sustentabilidade, e alguns outros pontos consideráveis.

Uma de suas entrevistas mais extensas sobre o assunto, o moderador do programa perguntou justamente sobre a organização política de tal nova organização social. Não lembro exatamente se ele confirmou que ainda seria necessário ter uma classe política. Mas lembro de um determinado ponto que sugeriu que as decisões, leis e regras seriam tomadas cientificamente, ou melhor, através de estudos científicos que determinassem a melhor solução para aquela questão. Daí que imaginei esta nova modalidade de organização social- cientocracia. Talvez este termo tenha aparecido em algumas de suas entrevistas e tenha ficado no meu subconsciente. Mas não posso afirmar ao certo.

Inicialmente, o mediador do programa não entendeu direito esta forma de decisão. Confesso que eu também fiquei um pouco sem entender. Mas depois que eu pensei mais sobre o assunto, captei o conceito da idéia. Funcionaria da seguinte forma: você tem uma questão a resolver. Promove alguns estudos científicos/matemáticos sobre a questão. A solução que apresentar ser a mais eficiente, aplica-se à questão. Sem necessidade de classe política para votar, o que dá margem para barganhar e corromper. Parece que não, mas acredito que a maior parte das questões do congresso poderia ser resolvidas dessa forma. As únicas questões que talvez ainda fosse necessário ter uma classe política para representar o "povo", seria sobre questões ideológicas, morais e éticas, pois não há ciência exata para isso, pois depende de questões culturais para uma determinada atitude ser considerada moral ou não.

Dessa forma, a classe política teria menos interferência nos acontecimentos econômicos e produtivos daquela sociedade. Gastariam menos tempo com questões que talvez nem entendam direito e de quebra resolveria um problema que o Luis Felipe Pondé, filósofo contemporâneo brasileiro com quem eu concordo muito e gosto bastante de seus posicionamentos independentes.

Luis Felipe Pondé argumenta que a democracia está desgastada, apesar de ainda ser o melhor sistema político que conhecemos. Está desgastada não só pela dificuldade de criarmos um sistema verdadeiramente representativo do povo mas também por outras questões. A minha questão, que não é a dele, mas talvez tenha leve semelhanças e de que o "excesso de democracia" pode acabar criando dificuldades no avanço e definição de questões emergenciais. Primeiro ponto: em qualquer sociedade subdesenvolvida e até em algumas desenvolvidas, a maior parte da população é burra e ignorante (no bom sentido, de não ser provido de educação de alta qualidade, seja pelo estado ou seja pela condição financeira que o estado proporciona àquela sociedade para se educar). Logo, se a maior parte da população é burra e ignorante, acabam elegendo, pelo voto direto proporcional, burros e ignorantes. Por isso é tão assustador o baixo nível de pessoas eleitas no congresso. O que também explica um fenômeno que ocorre aqui, mas também ocorre em muitas partes do mundo - a campanha que tiver mais dinheiro, ganha a eleição. Aparentemente, nossa classe política já percebeu isso há bastante tempo. E vemos nos dias de hoje a descoberta dos maiores escândalos de corrupção da história da humanidade. Os partidos e seus dirigentes tentam criar narrativas alternativas, mas não é por convencimento ideológico. Acredito mesmo que seja por um plano maquiavélico, que sabiam exatamente o que estavam fazendo com o intuito de prolongar a permanência no poder o quanto fosse possível. Aliás, o plano de se manter no poder é comum a qualquer partido, sem recriminação, pois deve ser um de seus objetivos. Apenas sou contra o desvio de verba pública para fazer isso acontecer. Existe uma maneira simples de diminuir bem a corrupção dessa maneira. Basta criarmos uma lei para proibir qualquer propaganda política. Pois quem tem as melhores campanhas de marketing, elegem seus candidatos numa sociedade com baixa escolaridade.

Sempre digo que sou um eterno otimista, mesmo em situações assombrosas como estamos vendo de um tempo para cá. Um dos motivos do meu otimismo é que vejo um país nessa direção da cientocracia. Alemanha. Claro que não podemos nos comparar com um pais que tem uma origem cultural muito maior que a nossa. Mas pode ser um primeiro passo para o que espero ser uma tendência mundial em nossa nova era da informação.

Recentemente, vi um pequeno documentário sobre algumas características gerais da Angela Merkel -  Chanceler da Alemanha. O documentário fez uma pequena biografia da Angela Merkel e pude perceber uma certa semelhança ao conceito de cientocracia, já com resultados práticos e mais importante, positivos. Aparentemente, Angela Merkel é uma ex-acadêmica na área de física. E de quebra teve suas origens da parte oriental da Alemanha. Certamente utiliza tudo que aprendeu no ambiente acadêmico, e que na Alemanha é muito forte, para tomada de decisões. Além disso, deve ter se rodeado de pessoas do mesmo gabarito ou melhor para ajudar nas avaliações. Ou melhor, não é uma "política de carreira", como conhecemos em muitas outras partes do mundo.

15/01/2016 - São Paulo
Jorge Mauricio

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Simpsons - Ateísmo na Veia

Um certo dia, vi uma notícia que dizia basicamente o seguinte:
"Igreja católica elogia a série Simpsons por pregar conceitos religiosos e valores de família."

A manchete não era exatamente este pois não copiei o link para dar como referência. O que me chamou a atenção foi que, possivelmente, não entenderam a ironia com que muitos episódios dos Simpsons trataram a religião, e em especial, o catolicismo.

Os Simpsons sempre foi uma das minhas séries favoritas. Inclusive quando nem tinha série própria e era somente um curta inserido num show bem antigo chamado "The Tracy Ulman Show". Desta forma, não tive dificuldade nenhuma em fazer uma lista dos episódios que expõem idéias atéias.

Caso tenham indicação de outros episódios para complementar a lista, me enviem.

- s17 e14
- s5 e16
- s17 e17
- s17 e18
- s5 e22
- s16 e19
- s06 e07
- s19 e13
- s19 e09
- s21 e16
- s22 e02
- s22 e04
- s17 e21
- s19 e05
- s21 e11
- s07 e04
- s07 e12
- s20 e13
- s23 e02
- s23 e09

- s23 e12

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Geração Y - O Ovo ou A Galinha

Muito se fala sobre a instabilidade em permanência no mesmo emprego praticada pela tal da geração Y. O problema é que não temos como definir se esta característica foi adquirida pelo avanço tecnológico, mudança de tratamento pelos pais ou até mesmo por causa do conservadorismo das empresas.

Seja por qual motivo for, vou defender que é um reflexo sobre o que ocorre na sociedade e no mundo corporativo.

Hipótese 01 - Excesso de Inovação Realizada Pelas Empresas
Não é nenhuma novidade que lançamento, vende. E claro que empresas, de qualquer porte, se deram conta disso rapidamente. Em todos os segmentos, seja veículos, vestuário, eletrônicos, somos bombardeados diariamente com notícias e propagandas sobre novos modelos, sempre melhores, e que se não nos atualizarmos, somos taxados de antiquados, entre outros adjetivos. Acredito que esta flexibilidade contribuiu para nos tornarmos mais preparados para mudanças no uso de produtos. Todos quase descartáveis. O que gera outros problemas e talvez benefícios, que não convém comentar neste momento.

Hipótese 02 - Conservadorismo no Funcionamento de Empresas
Com o passar do tempo, claro que os novos profissionais vão almejar uma melhor condição de trabalho. Não falo em termos financeiros. Mas sim em ambiente e possibilidade de crescimento. Talvez algumas produções utópicas de entretenimento tenham contribuído com esta questão ao mostrar personagens desfrutar de tempo de lazer acima do normal, condição financeira elevada comumente retratada e moradia dos sonhos completamente fantasiosa. Se a empresa insiste em manter a receita intacta do que vinha dando certo, possivelmente terá problemas na renovação inevitável de seus quadros para continuar e atualizar seu funcionamento e estratégias.

Hipótese 03 - Mudança de Padrões Educacionais Adotada Pelos Pais
Neste caso, pode não ser intencional, mas é fato que temos uma flexibilidade de mudança de cidade cada vez maior. Este tipo de decisão pode influenciar no comportamento de seus filhos, em relação a não ter receio de encarar uma mudança. Pois ele também terá que mudar de escola e amigos. Mas isso é necessariamente ruim? Em nossos tempos, acredito que não, justamente pela tendência de reforma trabalhista que diversos países estão adotando para viabilizar o funcionamento de empresas e poder se desligar de qualquer funcionário que não se encaixe no perfil da empresa, com mais facilidade.

domingo, 29 de novembro de 2015

Redes Sociais e Chat Por Mensagem de Texto – O Fim da Reação Espontânea

Já pararam para pensar que a espontaneidade das reações e respostas podem estar com seus dias contatos? Mensagens de textos têm inúmeras vantagens. Porém ainda não estamos considerando esta perda importante, da reação instantânea com seu grau de perspicácia nas respostas.

Este “charme” da conversa pode acabar se realmente definirmos bate-papos em forma de textos como o padrão para a comunicação de agora em diante. E se depender do público feminino, é por este caminho que seguiremos. Claramente, elas já preferem este tipo de comunicação. E convenhamos, elas que “mandam”. A não ser que adotemos conversas por vídeos como padrão, num futuro próximo.

Talvez seja por isso que entrevistas de empregos ainda continuam sendo conduzidas da forma tradicional. Temos uma melhor avaliação sobre o candidato.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Internet - Disseminação do Conhecimento

Tenho ficado extremamente irritado com pensamentos de alguns jornalistas produtores de conteúdo sobre a iniciativa de muitos internautas compartilharem pensamentos, escreverem “colunas” em seus blogs entre outras iniciativas. Estas pessoas ficam simplesmente indignadas com conteúdo sendo compartilhado “a troco de nada” ou “sem remuneração”.

Não é possível que este tipo de pensamento venha de pessoas que, teoricamente, seriam bem-informadas e provavelmente gostariam que a sociedade como um todo crescesse intelectualmente. Pois, desta forma, o público iria poder apreciar ainda mais seu trabalho jornalístico, com recursos suficientes para absorver toda a mensagem desejada.

Certamente, as pessoas não compartilham conhecimento sem esperar nada em troca. Vou iniciar meus argumentos com as razões mais óbvias para este tipo de iniciativa.

Retorno financeiro: pode vir direta ou indiretamente. Diretamente, seriam os casos em que o “blogueiro” faz algum tipo de parceria em seu blog ou site, como o “Google AdSense”, onde o Google imprime anúncios, e quando um visitante que está interessado no conteúdo do blog acessa este anúncio, o “blogueiro” ganha uma pequena porcentagem do valor que o anunciante está pagando ao Google para sua veiculação. Logicamente, quanto melhor o conteúdo de seu blog for, mais disseminado será e conseqüentemente mais visitantes terá, resultando em mais possibilidades de acesso em seus anúncios para arrecadar mais comissões. Outro detalhe: os anúncios veiculados pelo AdSense são inteiramente pertinentes ao conteúdo veiculado na página em que os anúncios aparecem, para que tenham total afinidade com o público que se interessa por aquele assunto.

Nos casos indiretos, seriam as situações em que o conteúdo compartilhado serviria para valorizar os serviços de um determinado profissional. Dependendo da qualidade do conteúdo produzido por este profissional, pode ser disseminado para um nicho de mercado que talvez ele não tivesse acesso de alguma outra forma.

Troca de conhecimento: em algumas situações em que eu consigo uma informação para uso pessoal ou profissional, sinto a necessidade de retribuir de alguma foram. Esta retribuição seria naturalmente o compartilhamento de alguma informação ou experiência minha em situações que eu julgasse não ser muito comum ou de difícil acesso. Este é o conceito dos fóruns de discussão, especialmente na área de tecnologia da informação e programação. A quantidade de dicas, problemas resolvidos, fórmulas e outros recursos é realmente impressionante. E suas informações ficam sempre relacionadas à informação que prestou, proporcionando mais possibilidades de alguém se interessar pelo seu conhecimento e fazer uma abordagem direta.

Para terminar os argumentos, vou incluir algumas razões demagógicas e ideológicas.

Esperança em nos tornarmos uma sociedade mais justa: eu sou um eterno otimista, e vejo que o compartilhamento de conhecimento pela internet é a minha única esperança de ter um mundo verdadeiramente melhor. Já temos certeza que o acesso à informação não é mais problema para qualquer classe social. O próximo desafio é educar os internautas com relação à busca de conteúdo com qualidade. E isso só irá acontecer se compartilharmos o máximo de conhecimento possível, pois em algum momento, este conhecimento chegará à massa populacional. Mesmo que ainda vemos a maior parte dos internautas, especialmente no Brasil, dedicar mais de 60% de seu tempo de navegação em redes sociais e bate-papos, temos que admitir que é um início e também é melhor que termos uma sociedade excluída digitalmente.

Alguns jornalistas defendem que o acesso ao conteúdo deva ser cobrado. Eu não sou a favor deste tipo de posicionamento. A produção do conteúdo teria que ser financiado com as propagandas veiculadas no site ou portal, da mesma forma que é no jornal impresso, onde os anúncios são responsáveis pela maior parte da receita do jornal. Uma grande diferença entre o meio eletrônico e o jornal impresso é a diminuição do custo de veiculação daquele conteúdo e anúncios, como impressão e distribuição. Esta diferença já não justificaria a isenção de cobrança ao internauta? A única questão é trabalhar na forma em que o veículo incentive o internauta a ver aquele anúncio, que também já foi um problema no jornal impresso.

Trabalho diretamente com a internet como designer gráfico, desenvolvedor, analista e não sou produtor de conteúdo, mas senti a necessidade de me expressar sobre esta questão, que não entendo como há pessoas contra estas iniciativas.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Evolução dos Sentimentos

O que é o sentimento? Porque existe? São perguntas que dificilmente serão respondidas. Então, não custa “viajarmos” um pouco na elaboração de uma explicação.

Vamos pensar nos primórdios da vida terrestre, onde a maior parte da vida era bacteriana e microscópica. Acredito que o sentimento não existia nesta época. Conseqüentemente, a forma de viver era mais simples e menos problemática. Bactérias se alimentavam, se comunicavam, se reproduziam, se organizavam. Um verdadeiro paraíso. Até o momento em que as colônias bacterianas começam a se organizar em organismos um pouco mais complexos. Pronto! Eis a maça de Adão e Eva.

Organismos mais complexos são mais suscetíveis a erros na reprodução genética, pois a quantidade de informação a ser reproduzida é muito grande. Então, mutações ocorrem. Cada mutação é um pequeno passo para uma nova espécie, em que a forma de alimentação também é modificada. Até chegar o ponto de organismos se alimentarem de outros organismos. É hora de criar meios de se locomover para não virar alimento. Os organismos que tiveram uma mutação e desenvolveram características físicas para se locomover foram privilegiadas e sobreviveram. Porém, acabaram adquirindo também um sistema de controle, coordenação e sensibilidade. Por final, um sistema cerebral e um sistema nervoso resolveriam esta questão. Será que é juntamente com a criação da nossa parte mais importante que surge o sentimento? Pela necessidade de fugir de predadores. Dessa forma o primeiro sentimento seria o medo!

Podemos pensar que logo após o surgimento do sentimento (inicialmente somente o medo) desenvolvemos também a dor física. Por quê? Acho que esta questão é mais fácil. Primeiramente para sentir outros organismos entrando em contato uns com os outros. Aliás, organismos que adquiriram sensibilidade ao toque por acidente, ganharam vantagem sobre os outros organismos justamente pela habilidade de conseguir sentir uma ameaça e fugir rapidamente. Imaginemos que anteriormente os organismos já entravam em contato. Porém, na maior parte das vezes, era para reproduzir, então provavelmente não sentiam qualquer sensação física. Então porque a dor? Provavelmente para dar o sinal de que o outro organismo está entrando em contato não para reproduzir, mas para se alimentar, ou melhor, matar. É necessária uma indicação muito forte para o organismo reconhecer que está em perigo – a dor física. Podemos concluir que a sensação de dor veio antes da sensação de prazer? Provavelmente!

E outros sentimentos? Como podemos imaginar como se desenvolveram? A partir do momento em que o sistema de comando do organismo já teve a capacidade de reconhecer este primeiro sentimento de medo, os outros são mais fáceis de serem identificados, pois os mecanismos que geram os sentimentos já estão prontos. Quando temos qualquer sentimento, um conjunto de elementos químicos é liberado em nosso organismo para provocar as reações e alarmes necessários para a definição daquele sentimento – indicar se é bom ou ruim. 

É fácil imaginar que o apego a mãe foi desenvolvido pelo fato dela alimentar seu filho, já que ela era responsável diretamente a uma sensação de prazer – a alimentação. O sentimento de prazer decorrente da alimentação também deve ter sido desenvolvido pelo nosso organismo para sinalizar que precisamos ingerir alimentos para que nosso organismo continue a funcionar.

É o apego ao pai? Imagino que neste caso são duas situações distintas. A primeira mais rudimentar, que talvez ocorra com mais freqüência no reino animal e na nossa espécie primitiva. Normalmente entre as espécies, o sexo masculino possui um vigor físico mais avantajado sobre o sexo feminino, então o encarregado natural de “defender” o lar de possíveis predadores, ficaria por conta do sexo masculino – provedor da segurança. A segunda é uma questão mais moderna, pois pode ser atribuída à função do pai desempenhar o papel de mentor do filho e passar as experiências válidas, que só são reconhecidas depois de muita maturidade.

E o amor ao sexo oposto? Sem dúvida é para estimular a procriação da espécie – ou melhor, espécies que sentiam mais prazer no sexo, reproduziram infinitamente mais que os que não sentiam prazer e as heranças genéticas das espécies que não sentiam prazer no ato sexual foram sendo deixadas para trás e em algum momento deixando de existir. Isso explica um pouco do porquê de nossa sociedade ser movida a sexo. E dentro deste pensamento podemos incluir o sentimento de prazer no ato do sexo. 

Mas porque existe o ciúme, sentimento de posse ou questões do gênero, já que são sentimentos “ruins”? Não vou tentar abordar a fundo estas questões, pois existem muitas teorias psicológicas sobre estes temas. Superficialmente falando, acredito que seja muito mais um sentimento decorrente de convenção social do que qualquer outra coisa. O problema é mais na sensação de ser o “otário da história” perante a sociedade. Ninguém gosta de se sentir desta forma, seja em qualquer sociedade. Já vi muitas situações em que o outro tem uma facilidade muito maior em perdoar uma traição, quando esta traição não é exposta a ninguém no meio em que convive. Existem muitos países em que a poligamia é permitida. E no reino animal monogamia é a exceção da regra. Será que nestes casos estes sentimentos “ruins” são tão intensos assim?

E como podemos projetar a evolução dos nossos sentimentos com todas estas mudanças significativas acontecendo na humanidade. Mudanças em comunicação, difusão da informação, racionalidade, entre outras. Será que nossos organismos não terão mais necessidade de sentir a dor física, pois temos meios racionais de saber onde está o perigo? Mesmo que o perigo seja sutil como uma doença, pois em breve teremos meios de monitoramento de nossa saúde constantemente. Será que perderemos a sensação de medo aos poucos? A solução dos problemas existentes é uma forma de perdermos os medos. Por ser um eterno otimista, acredito que iremos solucionar todos.