quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A Má Vontade de Marcelo Madureira Com Bolsonaro

Longe de mim, achar que Bolsonaro é o melhor candidato para as eleições do Brasil 2018. Mas será que não há um único aspecto deste candidato que o Marcelo Madureira, da Jovem Pan, não consiga elogiar?

Tenho o observado há algum tempo, só criticando o Bolsonaro, mas não era o suficiente para constatar a má vontade, que beira o preconceito. Ficou mais nítido depois da entrevista vergonhosa no programa do Roda Viva, na TV Cultura. Mesmo com aquela atuação militante esquerdista por parte dos jornalistas, que ele conhece bem, pois já participou deste movimento durante a maior parte da sua vida, não conseguiu enxergar um ponto positivo no candidato. Nem sequer, em sua mudança de temperamento com opiniões contrárias.

Na visão do Marcelo Madureira, esta postura menos agressiva e maneira de condução de certas respostas é Media Training. Eu tenho acompanhado bastante entrevistas e vídeos do candidato, nos últimos anos. Aparentemente, diferente do caso do Marcelo Madureira, que trabalha com isso. Posso perceber uma mudança gradativa na sua condução de debates, que me leva a acreditar numa possibilidade de evolução legítima. Possibilidade - não certeza. Claro que devemos sempre desconfiar dos políticos. Mas o Marcelo Madureira foi taxativo e pareceu ter certeza do treinamento que o candidato recebeu.

Aliás, qualquer sinalização de mudança de opinião ou postura pelo candidato é imediatamente interpretado como populismo, encenação ou algo do gênero. Não só pelo Marcelo Madureira, mas com toda a imprensa esquerdista e de "centro" que estão inconformados com a possibilidade do Bolsonaro ser eleito presidente.

Vamos analisar, por exemplo, a mudança de pensamento do Bolsonaro sobre as privatizações e liberalismo econômico. Na visão do Marcelo Madureira, é uma mudança populista para "surfar na onda" da indignação da sociedade com o estado inchado. Nunca aceitaria a mudança de pensamento do candidato por convicção, influenciado por tudo que tem acontecido nos últimos anos no Brasil, em relação a corrupção em estatais. Até onde eu sei, mudança de pensamento e conceitos é uma atitude louvável, não?

Na questão econômica, nem se fala. Segundo Marcelo Madureira, Bolsonaro criou um mecanismo de defesa ou um "truque" para se esquivar de qualquer pergunta sobre o assunto que ele menos domina. Nunca aceitaria a possibilidade de ser uma postura humilde do candidato e ainda ter a capacidade de delegar determinados assuntos a profissionais reconhecidamente capacitados.

Algumas vezes acho que é puro preconceito, com o assunto inspirador deste blog - religião. Sabemos que Marcelo Madureira é ateu e o candidato em questão, acredita em Deus. Gostaria que nenhum candidato usasse a crença para fins eleitorais? Sem dúvida. Mas o Brasil está numa situação tão complicada que deveríamos não levar a crença do próximo presidente em consideração. Já passei da fase de achar que ateus são mais inteligentes ou mais competentes que os crentes. Temos dois exemplos de ateus na presidência, que cada um pode tirar suas próprias conclusões - FHC e Dilma.

Por último, chamar um candidato que defende a paralisação do desarmamento da população, a diminuição da maioridade penal, a diminuição das cotas raciais, a valorização da meritocracia de populista, realmente não faz o menor sentido. Se o Bolsonaro realmente fosse populista, ao final da entrevista do Roda Viva, não teria citado o livro do Brilhante Ustra como livro de cabeceira, e sim a Bíblia!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Felicidade – A Primeira Vítima das Mídias Sociais

Não se preocupe. Não se trata de uma vítima por reputação ou algo mais grave. Seria apenas o fim de um relacionamento, como tantos outros que terminam todos os dias.

O que faz este caso especial é o fato de pelo menos um dos envolvidos (eu) fazer todas as concessões possíveis e impossíveis para o relacionamento prosperar e mesmo assim sem alcançar o resultado positivo que tantos almejam. Não porque a parceira fosse uma daquelas que “pisa” quando sabe que seu parceiro está na mão dela. Não. Muito pelo contrário. Dei essa “moral” conscientemente, pois sabia que era digna de merecimento. Aliás, ainda sei que é.

Antes de prosseguir, um pouquinho do meu histórico de perfil. Desde que construí minha identidade, por volta dos 27 anos, me defini como solteiro convicto e militante! Cheguei até a tentar fazer vasectomia para diminuírem as chances do meu estilo de vida não mudar e meus objetivos pessoais/profissionais serem alcançados. Contudo, um detalhe me diferenciava. Eu era o solteiro convicto “honesto”, super sincero. Ou melhor, não enganava e nem dava falsas esperanças às minhas parceiras. Dizia o que eu queria com todas as letras para não ter dúvidas - sexo, amizade sincera e diversão.

Eis que, um belo dia, por uma série de circunstâncias, resolvi retribuir o carinho, amor, comprometimento e lealdade à mulher que estava comigo naquele momento. Não foi uma daquelas paixões forte que me fez rever todo o meu discurso e que mais tarde se tornou motivo de chacota entre meus amigos. Eu já havia me apaixonado diversas vezes. Não me afastava de paixões por medo, como alguns “falsos solteiros convictos” fazem. Mesmo porque eu acreditava muito nas minhas convicções e achava que nada poderia abalar - e nunca abalou. Novamente para lembrar: foi uma série de motivos que formavam uma situação perfeita!

Duas pessoas numa idade madura (38 anos), sem filhos, profissionalmente encaminhados, incrivelmente apaixonados e com o apoio das duas famílias! Uma verdadeira raridade. Além do comprometimento natural da fidelidade – a única imune a tentações do cotidiano. Como eu disse - perfeito.

Agora, você deve estar se perguntando: porque que um ateu está compartilhando um caso amoroso, íntimo e de forma melosa, num texto sobre mídias sociais? Foi necessário eu contextualizar a situação primeiramente, para minha hipótese ganhar força.

Até aqui, tudo lindo e maravilhoso. Casamos (não no papel - moramos juntos). Durou 7 meses. Mas garanto que o motivo da separação não é o que você está pensando. Não foi:
- Dificuldade de convivência;
- Saudade da vida de solteiro e suas aventuras;
- Liberdade;
- Pego com outra(o);
- Invasão de privacidade;
Nada disso. Acreditem.

O motivo principal foi dinheiro. Eu estava passando por uma grande dificuldade financeira nesta nossa crise político/econômica interminável que me obrigou a ter um expediente de trabalho fora do normal para ter uma chance de sobrevivência. Por conseqüência, eu tinha menos tempo dedicado a lazer, que fazia com que minha parceira ficasse com “saudade” de mim, mesmo morando junto e trabalhando em forma de home office. Comentava que se sentia morando com um “room mate”. Entendo. Não concordo, porque eu estava disposto a passar por qualquer situação com o objetivo de eternizar nosso relacionamento e criar uma verdadeira família. Mas entendo.

Separamos. Depois, fiquei conjecturando sobre os motivos que, mesmo eu dando tudo de mim e fazendo todas as concessões possíveis na mais intensa lealdade imaginável, não trouxeram a felicidade tão buscada pela pessoa que eu amava. 

Ao invés de eu deduzir a explicação mais fácil e óbvia, especialmente por uma pessoa do meu perfil, como: “mulher é tudo igual” ou “mulher nunca está satisfeita com nada”, fui mais a fundo nas possibilidades e fiquei assustado. Não em relação a mim ou à pessoa que estava comigo. Mas com a sociedade, como um todo.

Mesmo que ela não saiba, a única possibilidade racional que consigo imaginar é que, por conta de nossa atual percepção do mundo, através das mídias sociais, em que só vemos pessoas felizes, bem resolvidas e empolgantes, acabamos subindo as expectativas sobre como deveria ser nosso dia-a-dia. A todo o momento, vemos nossos contatos fazendo programas bacanas. Porém, temos dificuldade de imaginar que são apenas recortes específicos de suas vidas e muitas vezes relacionados varias pessoas diferentes, em ocasiões espaçadas. Também não vemos o período que estão “offline”, fazendo programas caseiros para economizar para um grande evento ou até trabalhando nos finais de semana, como eu fazia. Acabava imaginando que tinha alguma coisa de errada com nossa vida por não conseguir aproveitar o tempo.

Outro fenômeno interessante que percebi é que, por conta do acesso aos melhores momentos da vida de todos, acredito que a percepção sobre as qualidades essenciais para você “fechar contrato” com uma pessoa tenha se tornado praticamente impossível. Constantemente, a pessoa vê o parceiro do casal amigo sendo companheiro, outro sendo atencioso, outro sendo um grande pai, outro sendo um grande ajudante nas tarefas de casa, outro sendo extremamente social, outro sendo valente, outro sendo sensível, outro tendo um ótimo relacionamento com a família da parceira, outro sendo fiel, outro sendo romântico, outro sendo trabalhador, fica difícil você argumentar que uma só pessoa não pode ter todas essas características. Nos tempos de hoje, somos obrigados a reunir todas!

Temos que elencar as principais características que queremos ver em nosso par e avaliar se as outras serão de menor importância para “topar” o pacto da vida. Involuntariamente, queremos todas essas características que encontramos em diversos casais conhecidos e desejamos que nosso cônjuge tenha todos. Todos. Todos numa só pessoa. Impossível. Ou melhor, me arrisco a dizer que será impossível sermos felizes com a pessoa que escolhemos passar o restante de nossa vida ao lado. A não ser...

A não ser que sejamos muito bem resolvidos. Digo, você, consigo mesmo. E que saibamos que este fenômeno existe. Uma armadilha. Perigosa. Se não ficar atento, pode deixar a pessoa da sua vida “escapar”. Sem possibilidade de remendar. Mesmo que acredite em todos os deuses, universo conspirador e destino que quiser. Cuidado!

Devemos ver situações semelhantes nesses novos tempos. O pior é que muita gente vai acabar tirando as conclusões mais fáceis. Uma pena.

Depois de alguns dias pensando sobre isso, esbarrei num vídeo do TED – Ideas Worth Thinking, que aborda algumas questões psicológicas interessantes sobre o tema:


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Reinaldo Azevedo - Agora Complicou

Antes de tudo, vou lembrar novamente que sou fã desse jornalista, como já expliquei anteriormente nestas duas postagens:


Claro que a notícia bombástica sobre sua saída de seus dois principais trabalhos está tomando a maior parte do espaço na web. Porém, existe uma análise que não está sendo levada em consideração nesta história. E vou usar a tão famosa "lógica de pensamento", que Reinaldo Azevedo adora, utilizar - ou, pelo menos, acha que segue.

Para contextualizar, aqueles dois links que lembrei acima, tratam da óbvia mudança de postura do Reinaldo Azevedo teve sobre a Lava Jato e, principalmente, sobre punição aos corruptos, que defendia tanto, mas que agora releva por causa de conseqüências a curto prazo, que possa resultar. Caso interesse saber minhas considerações detalhadas sobre estas questões, sugiro que leiam as postagens anteriores. Resumindo muito, tento ponderar que esta mudança nos seus comentários foi em função de "estabilidade institucional" necessária para conseguir aprovar reformas essenciais, de acordo com sua ideologia.

Porém, com a divulgação das conversas de hoje, estou vendo uma situação muito mais grave do que o fato em si dele ter saído dos dois veículos importantes. Algo que realmente pode trazer uma conseqüência negativa imensurável, se for analisada por um determinado ângulo. Já vi alguns jornalistas comentarem que não teve nada de ilegal nas conversas, mas sim, imoral. Na minha visão, é mais que isso.

Vejo uma situação muito mais grave, preste atenção. Reinaldo Azevedo, ao tentar se defender-se (ou justificar-se) previamente do conteúdo nos grampos, ressalta que seria importante garantir o sigilo das fontes de jornalistas (http://www.jb.com.br/pais/noticias/2017/05/23/reinaldo-azevedo-pede-demissao-da-veja-apos-grampo-com-andrea-neves/). Até aí, tudo bem, não há como discordar. O que me chamou a atenção nisso tudo, foi um pequeno detalhe que somente quem acompanha o trabalho de Reinaldo Azevedo durante estes últimos anos poderia perceber. Quando ele afirma que a irmã do Aécio Neves e o próprio Aécio são suas fontes.

Para entender a gravidade da questão, o contexto de outro grampo em que o Aécio Neves conversa com Joesley Batista expõe abertamente que ele estava trabalhando, noite e dia, para aprovar mecanismos legislativos que, em tese, anistiariam diversos crimes investigados nas operações recentes que deixaram o mundo político em pânico.


Agora, lhe pergunto: quem era uma das únicas vozes na imprensa identificada com a direita, que negava com veemência a conspiração dos políticos em melar a Lava Jato e ainda desdenhava diariamente de quem apontasse as ações legislativas, neste sentido, de forma quase semelhante a um mantra - Reinaldo Azevedo!

Quem o acompanha, sabe do que estou falando. Não passava um dia em que Reinaldo Azevedo fazia questão de desqualificar procuradores da Lava Jato, o próprio juiz Sérgio Moro, além de fazer graça de qualquer veiculo alternativo ou tradicional que apontasse para as tentativas de frear as operações de forma sorrateira e quando as instituições mais necessitavam de apoio para seguir em frente. Por isso, comecei a desconfiar e confesso que assistia menos aos seus programas e comentários.

Vamos ao raciocínio lógico, que me deixa muito triste. Se Aécio Neves, que é admitidamente uma das fontes de Reinaldo Azevedo, se entregou nos grampos como um dos principais articuladores para passar legislações que resultassem em anistias, além de enfraquecimento das operações, podemos chegar somente a duas conclusões: ou Reinaldo Azevedo sabia de todas estas articulações e ainda fazia parte da trama para conseguir executar o plano macro, para que a médio prazo, o partido que tem mais afinidade com sua ideologia chegar ao poder, ou o Aécio era uma péssima fonte e o usava apenas como instrumento de apoio do partido, sem ele saber. Não sei sobre vocês, mas acho que Reinaldo Azevedo não seria tão ingênuo para se enquadrar na segunda hipótese.

terça-feira, 7 de março de 2017

Reinaldo Azevedo – O Maquiavélico

Como comentei numa postagem anterior, continuo sendo fã do Reinaldo Azevedo, mesmo sem concordar ou até entender suas atitudes dos últimos meses.

Comentei sobre uma das hipóteses “nobres”, que talvez tenho o levado a adotar este tipo de postura. Caso não tenha lido ainda, sugiro que faça aqui para entender melhor meu ponto nesta postagem.

Faz algum tempo que identifiquei um padrão de como Reinaldo Azevedo tenta construir seus argumentos usando uma “lógica” de pensamento. Lógica esta que, em minha opinião, possui uma falha brutal, que não é de fácil percepção para pessoas que não trabalhem com lógica. Digo, lógica “de verdade”.

Isso não significa que eu seja mais ou menos inteligente ou informado em relação a outras pessoas. Apenas significa que por exercer a função de desenvolvedor de sistemas, obrigatoriamente me faz trabalhar com lógica matemática/programação (http://www.jorgemauricio.com), que resulta numa percepção mais apurada, em termos de lógica.

Volta e meia, via Reinaldo Azevedo construindo seus argumentos da seguinte forma:
Se fulano falou que não faria isso, significa “automaticamente”, que este fulano falou tal coisa ao contrário. Como se todas as situações tivessem apenas dois lado. Positivo ou Negativo. Zero ou um. Maniqueísta, como ele mesmo detesta.

Acontece que não só na vida real, mas também na lógica matemática/física, descobrimos recentemente que as situações podem ter mais de duas hipóteses, como sim, não ou “talvez”. Mas isso não vem ao caso agora, para não complicar a conversa.

Para facilitar, vou dar um exemplo concreto envolvendo o deputado federal Jair Bolsonaro. Estou usando este exemplo, não porque eu goste dele. Mas também não desgosto. Isso não vem ao caso. Vou utilizá-lo como exemplo porque foi quando comecei a identificar sua metodologia de argumentação, utilizando esta tal “lógica” e porque trata-se de uma situação que todos conhecem. O caso envolvendo a deputada Maria do Rosário.

Na ocasião, Bolsonaro falou para Maria do Rosário que “ela não merecia ser estuprada”, ou algo do gênero - https://www.youtube.com/watch?v=yRV98Im5zRs. 


Depois de algum tempo, Reinaldo Azevedo comentou em diversos meios e publicações que se ele falou isso é porque se ela fosse um pouco melhor, poderia merecer ser estuprada. Ou que algumas mulheres mereciam ser estupradas. Acontece que ele não falou isso, nem implicitamente. Não existe só uma única hipótese de alternativa de significado contrário que ele poderia ter indicado ou expressado. Também não estou falando que ele não queria dizer o que a maior parte da população entendeu. Só estou colocando em evidência como o mecanismo de argumentação do Reinaldo Azevedo funciona. 



Existem várias outras hipóteses sobre o que ele “automaticamente” teria dado ao entender quando fez o comentário “você não merece ser estuprada”, como:

- “Você não merece ser estuprada, assim como nenhuma mulher merece ser estuprada.”
- “Você não merece ser estuprada, assim como mulheres bonitas também não merecem ser estrupadas.”
- “Você não merece ser estuprada, assim como mulheres bonitas e mulheres feias não merecem ser estupradas.”

Uma afirmação não dá significado “automático” a outras. Assim como se eu falar que não vou ao cinema, não significa automaticamente que vou ao teatro. Posso ir para casa, para o parque, para o restaurante e assim por diante. Foi assim que comecei a identificar vários momentos em que Reinaldo Azevedo utiliza esta mesma técnica para convencer sobre suas idéias. Ainda mais quando joga o termo “pensamento lógico” no meio da conversa. Afinal, quem não quer estar ao lado da lógica?

Bom, dito isso, vamos ao que interessa. Nestas últimas semanas, comecei a perceber uma nova técnica que Reinaldo Azevedo vem tentando utilizar para convencer sua audiência para “ficar ao seu lado”, e conseqüentemente, ao lado do governo atual, mesmo que ele negue veementemente que se trata disso.

De fato, ele tem acertado sobre muitas questões envolvendo os acontecimentos atuais no governo e no supremo. Sim, ele tem um extenso conhecimento jurídico, isso é inegável. Mas está longe de ter os 100% de acerto, como exalta, constantemente. Basta suas opiniões sobre a Odebrecht e em especial, Marcelo Odebrecht, em que errou feio em suas análises. Assim como todos nós, ele só gosta de contar vitórias.

A questão é que ele quer utilizar esta “credibilidade” adquirida, para nos convencer de que se nós da sociedade civil começarmos a pedir fora Temer, aumentaremos o risco do PT voltar ao poder e especialmente ELE - o nome que não se deve pronunciar. Quer nos convencer que há este risco e ainda de fortalecer a esquerda, e que se acontecer, a culpa será nossa. 

Eu entendo seu desejo em “salvar” a economia e o país, como expliquei nesta postagem. Porém, mais importante para nós agora, depois de ter enfrentado a maior crise política/econômica de todos os tempos, vale mais tentar punir os corruptos e instalar uma nova cultura, sem o problema grave da impunidade no país, do que salvar um ciclo econômico que terá um efeito de prazo limitado. Já passamos pela pior fase. Agora é hora de segurar mais um pouco para concluir o serviço, custe o que custar. Esta crise só vai ter valido a pena se os corruptos forem punidos severamente.

Eu, particularmente, ainda não estou estimulado a gritar fora Temer, pois estou vendo muitas questões terem avanços, de acordo com meu ponto de vista ideológico. Porém, não vejo problema nenhum de pressionar, especialmente se o presidente continuar abrigando políticos suspeitos em seu governo. É uma chance de unificar a população partida com uma bandeira que garanto que todos estão de acordo, independentemente do espectro político – fim da impunidade – todos iguais perante a lei – diminuição da corrupção.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Reinaldo Azevedo - O Ingênuo


Primeiramente, gostaria de destacar que sou fã desse jornalista e o considero um dos melhores em atuação, ultimamente. Concordo com muitas opiniões dele, porém ele diz que utiliza uma lógica para formar suas opiniões e é nessa lógica deficiente que vou pautar meus argumentos. Preste atenção:

Chamo de ingênuo porque não consigo acreditar que tenha qualquer outro motivo malicioso para ele agir da forma que tem feito, quanto ao inabalável "estado democrático de direito".

A primeira questão é a mais evidente. Suas críticas à força tarefa da lava jato e até em quem apóia seus integrantes. Especialmente sobre algumas atitudes que ele considera excessos e por isso, o "estado democrático de direito" estaria correndo algum risco. Seu principal argumeno é que estão exagerando nas apresentações de denúncias. Ou dando muita publicidade às denúncias. E que este tipo de conduta seria completamente desprovido com relação ao cidadão comum. O que ele esquece é que estas pessoas, por mais que possamos contestar, não são cidadãos comuns. São ex-políticos, mas ainda com muita influencia e capacidade de mobilização social e política. Para alguns, até "mitos vivos". Eles mesmos se consideram diferenciados e acima da lei. Vou mais além - muitos deles são extremamene perigosos, equivalentes a chefes de máfia da pior espécie. Sendo assim, o ministério público e a polícia federal não pode conduzir estas investigações também de forma convencional.

Precisam usar recursos equivalentes aos que a organização criminosa usa. A ORCRIM possui financiamento praticamente ilimitado decorrente de verbas desviadas para fazer propaganda e construir suas narrativas, além da movimentação no congresso para modificar as regras a seu favor. O MP e a PF precisam usar seus recursos reciprocamente. Neste caso, seria o esclarecimento público dos fatos para que a sociedade fique atenta a qualquer tentativa de manobras da ORCRIM, como vimos acontecer diversas vezes.

Até aí, o Reinaldo Azavedo querer que tudo ocorra conforme estabelecido em lei, tudo bem, mesmo sendo um pouco maniqueista ou binário, como ele mesmo já comentou que não deveríamos ser. Começam as incoerencias e falhas em suas lógicas de pensamento, como ele sempre ressalta.

O "problema" mesmo, começa quando ele faz algumas analises mais frias sobre as questões em curso. Vamos pegar como exemplo a mais recente situação do Ministro do Supremo Marco Aurélio Melo que consedeu uma liminar para afastar o presidente do senado. É bem verdade que sua análise acabou se confirmando. Porém, é bem verdade também que a interpretação das leis é bem flexível e frouxa. Poderia ser decidido pelo afastamento com o mesmo grau de convencimento. Aliás, praticamente qualquer decisão polêmica pode ser justificado para qualquer lado com o pleno domínio jurídico. Está longe de ser uma ciência exata. Muito pelo contrário. Ainda mais quando analisamos o nível do congresso, ou melhor, que as faz.

A minha desconfiança é que em muitos casos, incluindo esse, Reinaldo Azevedo acaba optando por defender aquela interpretação que de alguma forma, não ponha em risco muitas das propostas que estão encaminhadas no congresso para aprovação.

Antes de continuar, quero deixar claro que eu também sou a favor de muitas destas propostas, com o objetivo de diminuição do estado e austeridade. É necessário ter algum mecanisco que limitam o crescimento dos gastos do estado? Sim. É necessário reformar a previdência? Sim. É necessário fazer uma reforma tributária? Sim. É necessário fazer uma reforma trabalhista? Sim. É necessário fazer uma reforma política? Sim. O atual governo está sinalizando neste direção? Sim. É uma oportunidade rara que temos para aprovar estas mudanças devido a questões políticas? Sem dúvida. Corremos o risco de não promover essas mudanças se houver mais instabilidade no governo? Infelizmente, sim. Porém não podemos querer manter o encaminhamento dessas reformas a qualquer custo. Ou melhor, com o risco de muitos desses "atores" serem aliviados em função dessa estabilidade governamental para garantir a aprovação dessas reformas cruciais.

São pessoas perigosas, poderosas, criminosas. Que precisamos apoiar as punições na primeira oportunidade que tivermos. Especialmente quando havia condições legais para isso. E muitos juristas defendiam que os argumentos legais eram fortes. Não vou nem comentar sobre a parte em que o senador não foi preso por não cumprimento da ordem jurídica. Certamente, isso será esquecido com facilidade para manter a tal "estabilidade".

Agora é que a situação se complica um pouco. A partir do momento que Reinaldo Azevedo, supostamente, decide defender esse tipo de postura para garantir o encaminhamento destas reformas, que são ideológicas, ele não estaria praticando exatamente aquilo que ele tanto combateu durante estes últimos anos? O termo que ele próprio criou - Petralha - não significa usar de meios ilícitos para colocar em prática a ideologia a qualquer custo?

Arrisco a dizer que sobre estes últimos vazamentos da delação da Odebrecht, em que as evidências são fortes de que o Presidente Michel Temer esteja também envolvido com algumas operações duvidosas, Reinaldo Azevedo vai tentar encontrar uma forma de convercer de que as operações foram legais, vindo de doações legais, sem contrapartida, e muito menos lavagem de dinheiro ou coisas do gênero.

Vejo um pouco disso acontecer, nestes casos. Não sobre meios ilícitos, mas interpretações tendenciosas das leis para prosseguir de forma "estratégica". Claro, mais sofisticado que simplesmente alocação de recursos financieros para compra de apoio. Seriá um apoio intelectual. Reinaldo Azevedo pode falar que não, mas ele tem uma certa relevância no cenário político. Ele sabe disso. Seu endosso sobre qualquer questão política é importante. Seria um espécie de Petralhas às Avesas - PA.

Antes que encrenquem com meu português, desculpem-me, mas não sou escritor ou jornalista. Sou apenas um cidadão assistindo a tudo que está ocorrendo e que vejo uma boa chance de punirmos os envolvidos que levaram nosso país para o buraco. Na minha visão, esta oportunidade de terminar com a impunidade é mais importante que a oportunidade de executar as reformas. Por isso, acredito que tenhamos que apoiar situações deste tipo sempre que pudermos, independentemente de toda a instabilidade política que possa resultar. Lembre-se - essa possível instabilidade não é consequência de supostas decisões jurídicas equivocadas, e sim de atitudes deploráveis das pessoas envolvidas.

domingo, 10 de julho de 2016

Vegetarianismo - Mais Uma "Religião"

Respeito completamente as pessoas que se dizem vegetarianas por não gostarem de carne. Assim como qualquer outra comida, está sujeita ao gosto subjetivo fisiológico do indivíduo. Afinal, possuo amigos que não gostam de queijo. Por conseqüência, não comem pizza! Impressionante, não?

Desconfio de pessoas que são vegetarianas por questões ideológicas. Pessoas que pararam de comer qualquer tipo de carne porque acreditam que o mundo seria melhor se não tivesse matança de animais para nos sustentar. Acreditam que se todo o terreno de gado fosse transformado em plantio, daria para alimentar toda população mundial. Ou são contra o sofrimento dos animais na hora do abate. Seja por qual forma, desconfio muito dessas pessoas, pois não assumiram um posicionamento baseado em fatos, estatísticas ou racionalidade, mas sim baseado numa agenda ideológica com pouca base para argumentação.

O argumento que defende que toda a população poderia ser sustentada pelo plantio em terreno utilizado para criação, pode até aplicar-se num futuro próximo, mas acho difícil aplicar-se nos dias de hoje. Este argumento não leva em consideração que, nem todas as terras são férteis. Acham que o planeta inteiro possui condições climáticas perfeitas para o plantio durante o ano inteiro. Além também de ignorar a existência de muitos lugares praticamente congelados, que impossibilita qualquer tipo de agricultura. Ou melhor, países que não possuem terras férteis ficariam dependentes de importação de alimentos. Paradoxalmente, este mesmo pessoal costuma ser contra transgênicos, que poderia ajudar no aumento da produção agrícola.

Em relação ao sofrimento dos animais, este pensamento tem uma base de nobreza, mas como qualquer pensamento ideológico não leva em consideração as condições reais sociais e econômicas que o mundo atravessa. Os judeus já resolveram esta questão com os alimentos "kosher". Animais são abatidos sem sofrimento por um rabino especial para este processo - ler mais. Concordo que os animais devem ser abatidos sem qualquer sofrimento, sem dúvida. E acho difícil encontrar alguém numa sociedade sadia que não apoiasse a mesma idéia. Porém, temos que lembrar que nem sempre é um processo barato e temos muitos países miseráveis que não suportaria o aumento de custos de tais processos. Estes vegetarianos deveriam dedicar um pouco dos seus esforços em possibilitar que países miseráveis chegassem a um nível de desenvolvimento para conseguir incorporar estas metodologias no abate, sem causar sofrimento aos animais.

Aliás, se pararmos para pensar, alguns animais já teriam sido instintos se não fosse o costume de criação que adotamos. Uma vaca, por exemplo, não teria a mínima condição de sobrevivência na vida selvagem, se não fossem os homens. Uma presa ridiculamente fácil.

Outro argumento que irrita bastante os vegetarianos, porém, na minha opinião, o mais óbvio, é de que quando você decide aderir à ideologia, está simplesmente negando o fato de que qualquer outra forma orgânica não tem vida. Plantas não têm vida. Legumes não têm vida. Frutas não têm vida. Arvores não têm vida. Enfim, qualquer outra forma orgânica que não possua um sistema nervoso central para absorver a dor e expressa-la de alguma forma, não seria considerado um ser vivo para essas pessoas. Por este ponto de vista, talvez possamos considerá-los os mais covardes, pois exploram justamente a forma orgânica viva com menor chance de se defesa, pois são fixadas à terra e não conseguem revelar nenhum sinal de dor ou insatisfação causado por aquela agressão da colheita, especialmente se for industrializada, tratores, e outros meios. Covardia pura. 

Outra questão preocupante, seria a demanda calórica necessária para nosso corpo e nosso cérebro funcionarem bem. A proteína animal armazena uma quantidade energética muito superior a do plantio. Sendo assim, teríamos que modificar radicalmente a quantidade de alimentos ingeridos e o tempo dedicado para alimentação para ter o mesmo efeito que absorção de proteína.

No final das contas, trata-se de um pensamento "bonito" se analisarmos superficialmente, como outras ideologias, que não levam em consideração os detalhes minuciosos envolvidos no posicionamento. E assim como as pessoas religiosas, é muito difícil convencer os vegetarianos com argumentos racionais. Acredita naquilo e pronto. Nenhum argumento muda sua realidade. Nada mais do que fé. Só não possuem um ímpeto tão grande de convencer e converter o restante da sociedade ao mesmo pensamento. Acaba sendo somente mais uma forma de se sentir bem diante outros com alguns pequenos "sacrifícios" ao invés de gastar mais energia em buscar soluções para os reais problemas com abatimento de animais e melhoria de processos produtivos agrícolas.

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Fonte: CGN

segunda-feira, 6 de junho de 2016

A Copa do Mundo Já Foi Mais Interessante

Não sei se perceberam, mas não só a copa do mundo, mas também eventos esportivos em geral, perderam um pouco do interesse do público. Acredito que não tenha a ver com todos escândalos de corrupção e denúncias de roubo que presenciamos quase diariamente. Mas sim com a mudança profunda cultural que estamos passando, sem muitos perceberem.

Nos dias de hoje, informação de boa qualidade é praticamente de graça. Digo praticamente porque ainda temos que pagar por energia e acesso a internet, além de nosso tempo que temos que dedicar a anúncios para "patrocinar" a produção de conteúdo.

Tenho reparado que nos últimos tempos, mal ou bem, a sociedade está mais informada. Você pode questionar se está bem ou mal informada, mas fato é que tem mais informação consumida.

Temos limitação de tempo que podemos dedicar aos assuntos que nos interessa. Dessa forma, quanto mais informação absorvemos, mais interesses desenvolvemos, de forma a pulverizar os assuntos e conseqüentemente ter menos tempo para nos dedicar a cada um deles.

De uma forma geral, acho saudável essa mudança cultural, pois diferentemente de alguns, sou daqueles que acho mais interessante saber um pouco de muitos assuntos do que saber tudo de poucos assuntos. Ou, como alguns preferem - especialistas naquele tema. Os chamados “monotemáticos”.