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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Bolsonarismo - O Movimento Que Superou O Próprio

A parcela da sociedade, grande imprensa e políticos inconformados com a possibilidade de um candidato do perfil de Jair Bolsonaro ganhar as eleições de 2018, ainda não entenderam que seu crescimento não se deve exclusivamente ao seu carisma ou suas propostas, mas sim à falta de opções que preservem a democracia e que deixe continuar o tão sonhado combate à impunidade que vinha sendo feito nos últimos anos, especialmente decorrente da operação lava-jato.

Os sinais eram nítidos. Desde de 2013, os brasileiros vinham se manifestando intensamente contra a qualidade dos serviços prestados pelo governo. Inicialmente, as pautas eram confusas. Porém, um recado era claro - não era possível continuar com o descaso que vinha sendo feito e falta de critério nas decisões sobre as prioridades governamentais.

Ainda por cima, veio o petrolão, para escancarar de vez a situação tenebrosa de praticamente todos os partidos políticos relevantes, e alguns dos menos expressivos. Quando não pela sua ação direta, pela sua cumplicidade no apoio aos partidos envolvidos.

Os políticos, principais responsáveis por tentar buscar uma resposta às exigências da sociedade, ao invés de reforçarem leis e apoio para as melhorias continuarem a serem realizadas, decidiram fazer reformas para dificultar a renovação política e enfraquecer as operações de combate à corrupção, em conjunto com parte do judiciário.

Não era necessário ser um candidato anti-pt ou anti-esquerda para prosperar nas preferências do eleitorado. Muitos dizem que o Alckmim não tem "carisma" para angariar votos nacionalmente para ser eleito presidente. Eu discordo. Garanto que se ele, mesmo com seu partido também envolvido em denúncias graves tivesse adotado o tom anti-corrupção, especialmente expulsando o Aécio Neves no momento adequado para simbolizar esta postura, o resultado seria outro. O único motivo que imagino para ele não ter incorporado este papel seria dele estar muito comprometido com as falcatruas.

Por outro lado, até mesmo o Ciro Gomes poderia ter se proposto a representar essa mudança. Ele tem o perfil tempestivo que o Bolsonaro também tinha. Porém, duas coisas ficaram claras. Não só vimos que o Ciro Gomes não consegue se controlar com suas declarações polêmicas, mas vimos também que o Bolsonaro consegue. Se o Bolsonaro mudou de fato, não temos como saber. Mas que ele consegue se controlar nos momentos cruciais, não há dúvidas. 

Alguns ainda diriam que o Ciro não tinha o apoio suficiente de partidos para se tornar verdadeiramente competitivo. Nestas eleições estamos vendo que isso não é necessário, contanto que o candidato se posicione de forma clara anti-corrupção. A popularidade do Bolsonaro comprova isso. Ciro Gomes resolveu tentar deixar portas abertas para os partidos alinhados ideologicamente com ele para possíveis alianças. Nesta altura dos acontecimentos, o apoio de alguns partidos mais atrapalha do que ajuda.

Além disso, os envolvidos no processo resolveram atacar os eleitores do Bolsonaro. Mais um equívoco. O Bolsonarismo deixou de ser o apoio incondicional a um candidato polêmico. Tornou-se um movimento anti-sistema, que tem o Bolsonaro como representante deste movimento por falta de escolha. Qualquer um que tivesse entendido este espírito desde o início, teria condições de assumir esse papel. Não fizeram e agora correm o risco de pagar um preço muito alto. Excesso de confiança e arrogância ajudaram a proporcionar esta situação. Aparentemente, a sociedade está disposta a correr o risco de "sacrificar" 4 anos de governança em prol da continuação das ações de combate à impunidade aos mais poderosos - um dos maiores problemas estruturais de nosso país.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A Má Vontade de Marcelo Madureira Com Bolsonaro

Longe de mim, achar que Bolsonaro é o melhor candidato para as eleições do Brasil 2018. Mas será que não há um único aspecto deste candidato que o Marcelo Madureira, da Jovem Pan, não consiga elogiar?

Tenho o observado há algum tempo, só criticando o Bolsonaro, mas não era o suficiente para constatar a má vontade, que beira o preconceito. Ficou mais nítido depois da entrevista vergonhosa no programa do Roda Viva, na TV Cultura. Mesmo com aquela atuação militante esquerdista por parte dos jornalistas, que ele conhece bem, pois já participou deste movimento durante a maior parte da sua vida, não conseguiu enxergar um ponto positivo no candidato. Nem sequer, em sua mudança de temperamento com opiniões contrárias.

Na visão do Marcelo Madureira, esta postura menos agressiva e maneira de condução de certas respostas é Media Training. Eu tenho acompanhado bastante entrevistas e vídeos do candidato, nos últimos anos. Aparentemente, diferente do caso do Marcelo Madureira, que trabalha com isso. Posso perceber uma mudança gradativa na sua condução de debates, que me leva a acreditar numa possibilidade de evolução legítima. Possibilidade - não certeza. Claro que devemos sempre desconfiar dos políticos. Mas o Marcelo Madureira foi taxativo e pareceu ter certeza do treinamento que o candidato recebeu.

Aliás, qualquer sinalização de mudança de opinião ou postura pelo candidato é imediatamente interpretado como populismo, encenação ou algo do gênero. Não só pelo Marcelo Madureira, mas com toda a imprensa esquerdista e de "centro" que estão inconformados com a possibilidade do Bolsonaro ser eleito presidente.

Vamos analisar, por exemplo, a mudança de pensamento do Bolsonaro sobre as privatizações e liberalismo econômico. Na visão do Marcelo Madureira, é uma mudança populista para "surfar na onda" da indignação da sociedade com o estado inchado. Nunca aceitaria a mudança de pensamento do candidato por convicção, influenciado por tudo que tem acontecido nos últimos anos no Brasil, em relação a corrupção em estatais. Até onde eu sei, mudança de pensamento e conceitos é uma atitude louvável, não?

Na questão econômica, nem se fala. Segundo Marcelo Madureira, Bolsonaro criou um mecanismo de defesa ou um "truque" para se esquivar de qualquer pergunta sobre o assunto que ele menos domina. Nunca aceitaria a possibilidade de ser uma postura humilde do candidato e ainda ter a capacidade de delegar determinados assuntos a profissionais reconhecidamente capacitados.

Algumas vezes acho que é puro preconceito, com o assunto inspirador deste blog - religião. Sabemos que Marcelo Madureira é ateu e o candidato em questão, acredita em Deus. Gostaria que nenhum candidato usasse a crença para fins eleitorais? Sem dúvida. Mas o Brasil está numa situação tão complicada que deveríamos não levar a crença do próximo presidente em consideração. Já passei da fase de achar que ateus são mais inteligentes ou mais competentes que os crentes. Temos dois exemplos de ateus na presidência, que cada um pode tirar suas próprias conclusões - FHC e Dilma.

Por último, chamar um candidato que defende a paralisação do desarmamento da população, a diminuição da maioridade penal, a diminuição das cotas raciais, a valorização da meritocracia de populista, realmente não faz o menor sentido. Se o Bolsonaro realmente fosse populista, ao final da entrevista do Roda Viva, não teria citado o livro do Brilhante Ustra como livro de cabeceira, e sim a Bíblia!